quinta-feira, 8 de dezembro de 2011



João...

Escritor: Apóstolo João
Lugar da Escrita: Éfeso, ou perto
Escrita Completada: c. 98 EC
Tempo Abrangido: Depois do prólogo, 29-33 EC

O livro de João é o de número 43 no cânon das Escrituras. Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas já estavam em circulação por mais de 30 anos e eram prezados pelos cristãos do primeiro século como sendo obras de homens inspirados pelo espírito santo. Agora, ao se aproximar o fim do século, e ao diminuir o número dos que haviam estado com Jesus, é bem provável que surgisse a pergunta: Havia ainda algo a ser relatado? Havia ainda alguém que pudesse, de suas próprias recordações, preencher pormenores preciosos do ministério de Jesus? Sim, havia. O idoso João fora singularmente abençoado em sua associação com Jesus. Achava-se, pelo que parece, entre os primeiros discípulos de João, o Batizador, apresentados ao Cordeiro de Deus e foi um dos quatro primeiros convidados pelo Senhor a participar com ele de tempo integral no ministério. (João 1:35-39; Mar. 1:16-20) Ele continuou a ter associação íntima com Jesus durante todo o Seu ministério, e era o discípulo a quem ‘Jesus amava’, que se recostou no peito de Jesus durante a última Páscoa. (João 13:23; Mat. 17:1; Mar. 5:37; 14:33) Ele estava presente durante a cena angustiante da execução, onde Jesus o incumbiu de cuidar de Sua mãe carnal, e foi ele quem passou adiante de Pedro ao correrem para o túmulo, a fim de investigar a notícia de que Jesus fora ressuscitado. — João 19:26, 27; 20:2-4.

Amadurecido por quase 70 anos de ministério ativo e estimulado pelas visões e meditações de sua recente prisão solitária na ilha de Patmos, João estava bem habilitado para escrever sobre coisas há muito guardadas em seu coração. O espírito santo então avigorou a sua mente para relembrar e assentar por escrito muitos dos preciosos e vitalizadores dizeres, para que quem lesse ‘pudesse crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crer, tivesse vida por meio do nome de Jesus’. — 20:31.

Os cristãos do princípio do segundo século aceitavam João como o escritor desta narrativa e também consideravam a sua escrita qual parte inquestionável do cânon das Escrituras inspiradas. Clemente de Alexandria, Irineu, Tertuliano e Orígenes, todos do fim do segundo e do princípio do terceiro século, testificam que João é o escritor. Ademais, encontra-se no próprio livro muita evidência interna de que João foi o escritor. Obviamente o escritor era judeu e estava bem familiarizado com os costumes judeus e com o seu país. (2:6; 4:5; 5:2; 10:22, 23) A própria intimidade do relato indica que ele era não só apóstolo, mas um do círculo íntimo de três — Pedro, Tiago e João — que acompanhavam Jesus em ocasiões especiais. (Mat. 17:1; Mar. 5:37; 14:33) Dentre estes, Tiago (filho de Zebedeu) é eliminado, porque foi martirizado por Herodes Agripa I, por volta do ano 44 EC, muito antes de o livro ser escrito. (Atos 12:2) Pedro é eliminado, visto ser mencionado junto com o escritor, em João 21:20-24.

Nestes versículos finais, o escritor é citado como o discípulo a quem “Jesus havia amado”, esta e outras expressões similares sendo empregadas diversas vezes no relato, embora o nome do apóstolo João nunca seja mencionado. A respeito dele, cita-se Jesus aqui, dizendo: “Se for a minha vontade que ele permaneça até eu vir, de que preocupação é isso para ti?” (João 21:20, 22) Isto dá a entender que o discípulo a quem se referiu aqui viveria por muito mais tempo que Pedro e os outros apóstolos. Tudo isso se enquadra no apóstolo João. É de interesse notar que João, após receber a visão de Apocalipse da vinda de Jesus, conclua esta notável profecia com as palavras: “Amém! Vem, Senhor Jesus.” — Ap. 22:20.

Acredita-se de modo geral que João escreveu seu Evangelho após seu retorno do exílio na ilha de Patmos, embora os escritos de João em si não forneçam nenhuma informação definida sobre o assunto. (Ap. 1:9) O imperador romano Nerva, 96-98 EC, chamou de volta a muitos que haviam sido exilados no fim do reinado de seu predecessor, Domiciano. Depois de escrever o seu Evangelho, por volta de 98 EC, acredita-se que João morreu em paz, em Éfeso, no terceiro ano do Imperador Trajano, em 100 EC.

Quanto a ser Éfeso ou sua vizinhança o lugar de escrita, o historiador Eusébio (c. 260-342 EC) cita Irineu como tendo dito: “João, o discípulo do Senhor, que até mesmo se recostou em Seu peito, produziu ele próprio o Evangelho, enquanto residia em Éfeso, na Ásia.” Que o livro foi escrito fora da Palestina é apoiado pelas muitas referências que faz aos oponentes de Jesus pelo termo geral, “os judeus”, em vez de “fariseus”, “principais sacerdotes” e assim por diante. (João 1:19; 12:9) Também, o mar da Galiléia é identificado por seu nome romano, mar de Tiberíades. (6:1; 21:1) Em benefício dos não-judeus, João fornece explicações úteis das festividades judaicas. (6:4; 7:2; 11:55) O lugar do seu exílio, Patmos, era perto de Éfeso, e sua familiaridade com Éfeso, bem como com outras congregações da Ásia Menor, é indicada por Apocalipse, capítulos 2 e 3.

Relacionadas com a autenticidade do Evangelho de João, foram feitas importantes descobertas de manuscritos no século 20. Uma dessas é um fragmento do Evangelho de João, encontrado no Egito, contendo João 18:31-33, 37, 38, conhecido atualmente como Papiro Rylands 457 (P52), e preservado na Biblioteca John Rylands, Manchester, Inglaterra. Com relação à tradição de que João foi o escritor, no fim do primeiro século, o falecido Sir Frederic Kenyon disse em seu livro The Bible and Modern Scholarship (A Bíblia e a Erudição Moderna), 1949, página 21: “Portanto, embora seja tão pequeno, é suficiente para provar que estava em circulação um manuscrito deste Evangelho, presumivelmente no Egito provincial, onde foi encontrado, por volta do período de 130-150 AD. Dando até mesmo a mínima margem de tempo para a circulação da obra, a partir de seu lugar de origem, isto situaria a data da composição tão próxima à data tradicional, a última década do primeiro século, que não há mais motivo algum de se duvidar da validez da tradição.”

O Evangelho de João é notável por sua introdução, que revela a Palavra, que estava “no princípio com o Deus”, como Aquele por meio de quem todas as coisas vieram à existência. (1:2) Depois de dar a conhecer a preciosa relação entre o Pai e o Filho, João passa a descrever magistralmente as obras e os discursos de Jesus, especialmente do ponto de vista do amor íntimo que vincula tudo no grande arranjo de Deus. Este relato da vida de Jesus na terra abrange o período de 29-33 EC, e toma o cuidado de mencionar as quatro Páscoas a que Jesus assistiu durante o seu ministério, fornecendo assim um dos meios de provar que o seu ministério durou três anos e meio. Três dessas Páscoas são mencionadas como sendo tal. (2:13; 6:4; 12:1; 13:1) Alude-se a uma delas como “uma festividade dos judeus”, mas o contexto a coloca pouco depois de Jesus dizer que “ainda faltam quatro meses até chegar a colheita”, indicando assim que a festividade é a Páscoa, que ocorria por volta do início da colheita. — 4:35; 5:1.

As boas novas “segundo João” são em grande parte suplementares; 92 por cento é matéria nova, não abrangida nos outros três Evangelhos. Mesmo assim, João conclui com as seguintes palavras: “Há, de fato, também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se alguma vez fossem escritas em todos os pormenores, suponho que o próprio mundo não poderia conter os rolos escritos.” — 21:25.

rci//rv
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