sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Pastor   - Como vai seu rebanho hoje !

Ah! esse povo aqui é duro demais. O povo da igreja que estou pastoreando tem o coração duro".
"Tenho presbíteros e diáconos mandões rci//rv".
"Ah! se todos dessem o dízimo, como seria bom...pensem nisto!"
"Aqui é assim mesmo, já tentamos de tudo, mas nada funcionou".
"O que mata na minha igreja é a frieza, o desânimo".
"Os crentes estão muito preocupados com as coisas materiais.
Não ligam para as coisas espirituais".
Essas são algumas razões que normalmente apresentamos para justificar nosso fracasso na igreja. E os pastores, o que é que dizem sobre si mesmos?
"Eu não tenho tempo! Tudo isso sobre pregar expositivamente, discipulado, é muito bonito, mas não tenho tempo. Estou ocupado com outras obrigações eclesiásticas".
"Na sua igreja é diferente. Não tenho uma equipe com pastores com determinação  porque na minha igreja todo mundo é pobre".
"Na igreja dos outros funciona mas na minha não dá".
"O pastor anterior estragou tudo, agora não dá para fazer mais nada".
"O meu problema é que ganho pouco, não temos os recursos necessários".

Poderíamos acrescentar uma lista enorme de desculpas que vamos apresentando em relação à igreja e em relação a nós mesmos. Ficamos justificando, jogando a responsabilidade para um, para outro, sempre achando que o nosso caso é o mais difícil. Se outros estão tendo sucesso e porque têm as condições, recursos, meios, etc. Por causa disso muitos pastores vivem uma vida miserável, pulando de igreja em igreja até que o Senhor os chame para a glória. Observando a vida de muitos pastores, eu fiz esta oração: "Senhor, se é para ter uma vida miserável e um ministério cheio de lamentações, eu não quero ser pastor". Não podemos ser homens/mulheres amargurados(as), em desespero, lamentando a nossa sorte e das igrejas em que trabalhamos.

A verdade é que na igreja existem muitos problemas. O livro de Malaquias trata dos problemas que existiam entre o povo de Israel e que, de certo modo, refletem os problemas que a igreja enfrenta atualmente.

Os problemas de uma igreja

A segunda divisão do livro de Malaquias vai de 2:10 a 4:6. Nesta parte do livro, o profeta se dirige ao povo. No verso 10, ele diz que havia deslealdade, intrigas, e fofocas entre o povo. Eles não estavam sendo fiéis à aliança feita com Deus (v. 11). Os princípios de Deus para o casamento não estavam sendo observados. Israel estava profanando a aliança feita com Deus. Havia hipocrisia entre o povo. Eles viviam uma vida hipócrita, mas mantinham a religião formal e vazia (v. 13 e 14). Havia problemas familiares, infidelidade conjugai, hipocrisia, fofoca, engano, mentira, indiferença, falta de seriedade para com Deus e Sua Palavra.

Não obstante tudo isso, o culto continuava, o cerimonial estava funcionando. É claro que não levavam o melhor cordeiro, mas sim o doente, o dilacerado, mas o fogo do altar continuava aceso. Esta era a filosofia deles: não importa a vida que levamos, nem o que fazemos, desde que o fogo do altar continue aceso está tudo bem.

Colocando isso na linguagem de hoje, podemos dizer que o coral continuava cantando todo domingo à noite, as classes da escola dominical estavam funcionando, havia relatórios, regimento interno, estatutos, organização para homens, mulheres, crianças, adolescentes, jovens, publicações de revistas e tudo mais que é "necessário" para uma igreja funcionar. Entretanto, não havia conteúdo, não havia seriedade para com Deus e Deus não estava satisfeito com tudo o que estava acontecendo.

Ah! havia mais um problema que estava me esquecendo: o povo não estava dando o dízimo. Talvez eles ouvissem apelos todos os domingos: "Vamos trazer os dízimos à casa do tesouro! Contribuam ainda hoje que o tesoureiro precisa fechar o relatório! Quem não está dando o dízimo é ladrão, e a Bíblia diz que ladrão não entra no reino do céu". Esses são alguns dos apelos dramáticos que se ouvem em nossas igrejas.

Mas, por que o povo estava nessa situação? Em 3:7, o profeta diz o seguinte: "Vós vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes". O problema estava justamente aí: o povo tinha se desviado da Palavra de Deus. E por que? Isso nos leva à segunda parte do nosso estudo, que é a primeira do livro: 2:1-2:9.

A causa dos problemas

Nesta primeira parte do livro, o profeta se dirige ao sacerdote, ao líder. Primeiro ao sacerdote, ao pastor, depois ao povo, à congregação.. Tudo começa com o líder. O povo estava numa situação desesperadora porque os sacerdotes não estavam levando a sério a Palavra de Deus. Os sacerdotes não estavam vivendo, não estavam praticando a Palavra e consequentemente não tinham autoridade para ensinar o povo. Havia culto, mas este era formal e vazio. Havia pregação, mas não havia conteúdo bíblico. O povo se desviou, porque o sacerdote se desviou primeiro: "Mas vós, sacerdotes, vos tendes desviado do caminho, e, por vossa instrução, tendes feito tropeçar a muitos" ( 2:8 ).

Essa é uma palavra dura para nós os pastores. A maioria das igrejas evangélicas perderam o seu objetivo, porque os pastores perderam o objetivo e os mestres dos pastores também perderam o objetivo. A máquina continua montada, funcionando. Quanto a isso não há problema. Temos, entretanto, que perguntar qual é o objetivo da igreja? Por que estamos aqui? O que Deus exige de nós os pastores? Para onde vamos?

Porque os sacerdotes tinham se desviado dos estatutos de Deus, alguns outros problemas surgiram. Eles não estavam honrando o nome de Deus (1:6). Ofereciam pão imundo sobre o altar (1:7). Ofereciam animal cego ou doente como sacrifício a Deus ( 1:8 ). Além de tudo isso, tinham uma péssima atitude (1:13) e eram parciais no aplicar a lei (2:9).

Com líderes dessa natureza, o que se esperaria do povo?

A causa do problema da igreja está com o pastor, mas a solução também está com ele. O líder colocado por Deus tem a responsabilidade de enfrentar os problemas e procurar solucioná-los. Esse foi o desafio colocado pelo profeta para os sacerdotes.

A maior barreira na evangelização do Brasil é a própria igreja evangélica. As pessoas estão com fome espiritual. Quando a mensagem de salvação é apresentada, elas aceitam. Mas depois disso vem o problema. Nos acampamentos que temos realizado vem pessoas de longe, às vezes viajam 400, 500 km para participar de um acampamento. Elas se interessam por Jesus e sua Palavra, mas depois fica difícil encontrar igrejas que realmente estejam dispostas e preparadas para dar o acompanhamento para essas pessoas.

Muitas igrejas nem cumprimentam as pessoas que as visitam. As pessoas entram, saem e ninguém fala nada com elas. Os pastores, entretanto, têm, pela graça de Deus, a oportunidade de mudar a vida das igrejas. Mas, como mudar?

A solução dos problemas

A primeira coisa a fazer é reconhecer que a situação precisa ser mudada e suplicar a graça e misericórdia de Deus (1:9).

Em segundo lugar, precisamos mudar a atitude, o comportamento. Não adianta ficarmos justificando e dizendo que na minha igreja é difícil, que não consigo mudar, porque assim não vamos sair de onde estamos.

Em terceiro lugar, o profeta nos diz que precisamos voltar para a Palavra de Deus (2:4-6). Ele relembra a aliança feita com Levi e a bênção que estava com ele. Entretanto, os sacerdotes tinham se desviado. Quando digo voltar para a Palavra de Deus, estou dizendo estudá-la e pregá-la sistematicamente. Há pastores que têm um estoque de sermões. Quando estes acabam, eles mudam de igreja. Nunca estudam seriamente, nunca pregam novas mensagens. Outros enfatizam sempre a mesma doutrina. Paulo nos diz que ele ensinava todo o desígnio de Deus (Atos 20:27). Isso requer tempo e estudo. Quando a Palavra de Deus é ensinada de maneira que o povo entende e pode colocar em prática, as vidas são transformadas e os frutos aparecem. Não é preciso falar sobre dízimo toda semana. Ensine a Palavra sistematicamente porque quando as vidas são abençoadas as pessoas querem participar.

Não se preocupe se você começar a perder alguns membros da sua igreja. Alguns pastores não pregam sobre certos assuntos para não ofender ninguém. Mas um dos problemas dos sacerdotes é que eles eram parciais no aplicar a lei (2:9).

No cap. 2:8 e 9 está descrito o sacerdote que não tem a bênção de Deus. No versículo 7, Malaquias fala do sacerdote aprovado por Deus. Duas coisas são básicas neste texto: os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento e da sua boca os homens devem procurar a instrução. Tudo isso porque ele é mensageiro do Senhor.

Em quarto lugar, o pastor deve guardar o conhecimento de Deus. Guardar significa colocar em prática. Uma vez que praticamos a palavra temos autoridade para ensiná-la. Muitas vezes o povo não recebe a mensagem. Ele ouve meia hora de avisos e relatórios. Depois o pastor reforça alguns pontos da lição da escola dominical e assim passa o tempo. A noite geralmente é pregado um sermão evangelístico. E assim o povo fica sem alimento. Qual é o resultado disso? É o que estava acontecendo com o povo na época de Malaquias.

O profeta diz que se não tomarmos uma posição séria diante de Deus é melhor fechar as portas do templo e não acender em vão o fogo do altar (1:10). Se não há seriedade para comigo e a minha Palavra, diz o Senhor, não tenho prazer no pastor, nem no culto (1:10). Deus diz que amaldiçoaria as bênçãos (2:2), reprovaria a descendência e atiraria excremento nos seus rostos (2:2-3).

A verdade é que se nós os pastores não fizermos alguma coisa para mudar a situação da igreja evangélica brasileira. Deus vai usar algo para nos sacudir e nos acordar para a realidade.

Conclusão

Quero terminar deixando para mim e para você o desafio de transformar a situação das nossas igrejas. É tempo de acordarmos para a realidade que estamos vivendo. Lamentavelmente a preocupação de muitos pastores tem sido com estatutos, regimentos internos, tradições denominacionais, regrinhas, comissões que não levam a nada de útil e proveitoso. Certo pastor me disse uma vez: "Eu gasto 3/4 do meu tempo com coisas que não quero fazer e que não conduzem a nada". E é um pastor ativo e muito dinâmico nos chamados assuntos eclesiásticos. Mas está envolvido com reuniões, comissões. Conselhos, Juntas, etc.

A mudança precisa ocorrer no homem que lidera. Tem que ser feita uma avaliação séria da vida. Quais são as prioridades do Reino de Deus? Quais são as prioridades da minha vida? Por que estou aqui? Quando essas perguntas são respondidas de forma honesta e coerente, mudanças acontecem. Em Efésios 4:11,12, Paulo diz que a função do pastor na igreja é equipar os santos para o ministério. Uma vez que o pastor assume essa função diante da igreja, as coisas começam a ser mudadas. O resultado disso será o crescimento da igreja em qualidade e quantidade.

O povo na época de Malaquias estava numa situação miserável. Tudo come çou porque os sacerdotes se desviaram do caminho. Entretanto, para Malaquias havia uma esperança. A situação poderia ser mudada. Essa é a palavra de esperança para nós os pastores. Pela graça do Senhor, podemos tornar as igrejas em igrejas vivas, dinâmicas e compromissadas com Deus e Sua Palavra


rci//rv
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