sexta-feira, 4 de novembro de 2011

 A reforma eclesiástica

Assim como o cristianismo do século XVI estava em decadência…, as igrejas evangélicas brasileiras padecem, hoje, de males semelhantes ou até piores que aqueles

Quando pensamos em reforma, nossa mente nos remete aos últimos fatos e acontecimentos terríveis e escandalosos que assolaram a sociedade cujos protagonistas foram líderes religiosos e, como conseqüência, a sociedade forma uma imagem negativa dos evangélicos. Mas a sociedade está errada em pensar assim? É claro que não!
Assim como o cristianismo do século XVI estava em decadência, manchado pela imoralidade de seu clero, escândalos de simonia, venda de indulgências, sede de poder, distorção doutrinária e podridão espiritual, as igrejas evangélicas brasileiras padecem, hoje, de males semelhantes ou até piores que aqueles. O misticismo, antropocentrismo, materialismo, curandeirismo, entre tantos “ismos”, estão deixando a seara evangélica inflamada, cuja infecção alcança desde o mais preparados teólogos e pastores até o mais simples leigo.
Teólogos que deveriam diagnosticar a infecção, apenas aplicam um analgésico, deixando incubada a infecção; que não sendo tratada, volta com força devastadora, e em cada época o estado do doente – leia-se igrejas brasileiras – aproxima-se cada vez mais do estado terminal.
Feliz foi Lutero que conseguiu identificar a causa que resultou num remédio cujo tratamento provocou uma reforma maravilhosa, extirpando a causa, dando novo fôlego à igreja do século XVI. Lutero identificou a origem através do sintoma. A igreja brasileira precisa de teólogos e pastores que não somente ataquem os sintomas; mas que, através de métodos adequados, identifiquem as causas e combatê-las, veementemente. Assim fez Lutero, identificou a decadência do clero refletido no sintoma da venda de indulgências! Que o medo de denunciar não nos detenha, mas que tenhamos coragem de identificar a origem dos problemas atuais e atacá-los, promovendo uma reforma na igreja contemporânea.
Existe uma distorção entre o cristianismo vivido na atualidade e o demonstrado nos evangelhos. O cristianismo evangélico brasileiro e latino-americano está infectado com um vírus que precisa ser combatido urgentemente. Mas existem poucos teólogos realmente preocupados em descobrir uma vacina correta para livrar o cristianismo desse vírus.
O sintoma que Lutero identificou baseava-se no engano da venda de indulgências, por isso, suas noventa e cinco teses tiveram como escopo atingir as causas do mal: que era a luxúria e acomodação do clero da igreja.
O pensamento de Lutero revolucionou uma época e conduziu a um avivamento tão marcante que atingiu toda uma sociedade, aliás, dando forma à sociedade ocidental atual.
Mas quais são as causas que provocam tão grande estrago na seara evangélica? Quais os parâmetros para análise? Como filtrar os sintomas para diagnosticá-lo corretamente?
Esse é o grande desafio, pois, muitos teólogos e pastores que estão sendo formados têm como objetivo aderir ao atual sistema eclesiástico, perpetuando o estado atual; aliás, até ratificando tais procedimentos, quando dizem não à reflexão e à correção da rota da igreja.
Muitos almejam a ostentação de um título como passaporte para manter-se numa estrutura eclesiástica doente e moribunda.
Onde estão as vozes proféticas dos teólogos que, com conhecimento apurado, deveriam combater os desajustes do cristianismo e lutar, combater um bom combate, visando uma profunda reforma no contexto atual? Não sei!!
A não conformidade deve ser a tônica, mesmo que isso resulte, como aconteceu a Lutero, em incompreensão, rejeição, perseguição e, até ex-comunhão e não a adesão e conformação do estado caótico da igreja brasileira.
Para começar precisamos de parâmetros. E quais são eles? São aqueles extraídos das Sagradas Escrituras. Portanto, podemos nos pautar dos princípios que guiaram a reforma do século XVI: (1) Sola Scriptura – somente pela Bíblia; (2) Solo Christo – somente por Cristo; (3) Sola Gratia – Somente pela graça; (4) Sola Fide – Somente pela fé; e (5) Soli Deo Gloria – Somente para a glória de Deus.
Assim, a causa pode ser identificada e a aplicação de tais parâmetros nos dará uma proposta de reforma que possa impactar, de fato, a igreja brasileira.
Vou citar apenas minha visão, extraída do “Manifesto à Sociedade Brasileira”, que, penso, é o centro e a vertente principal que promove a desgraça atual da igreja brasileira: “Protestamos contra a pregação de uma graça barata que não fala do arrependimento dos pecados e da necessidade do poder transformador de Deus para viver a vida cristã”. A aplicação correta da Bíblia Sagrada pode curar a igreja, pois “Não havendo profecia, o povo se corrompe” (Prov. 29.18).
Com isso o ponto de partida para uma reforma é protestar contra o mau uso da Bíblia Sagrada, manuseada pura e simplesmente, para enganar e ludibriar o povo.
Assim estamos á frente de uma reforma que paute por uma pregação correta da Bíblia Sagrada, anunciando a vontade de Deus para o bem estar de seu povo, sem negligenciar suas necessidades.
 
                                                                                                                                                                                         rci//rv
 
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